LGBTQIAP+ nas empresas
sexta-feira, 24 de junho de 2022
Como as pessoas LGBTQIAP+ são afetadas no mercado de trabalho?
A diversidade em uma empresa é
fundamental para torna-la mais inclusiva. Cultivar o respeito e a empatia
aprofundam os vínculos sociais e as relações interpessoais dos colaboradores.
Ademais, são ferramentas essenciais nas relações humanas, e que devem ser
empregadas em todas as corporações, independente da orientação sexual dos
colaboradores.
Para que isso aconteça, a
inclusão das pessoas que se encontram no grupo LGBTQIAP+ é indispensável.
Atualmente, em um mundo cada vez
mais globalizado e interligado, a necessidade de inclusão e representação de
todos os grupos que constituem a sociedade global é indiscutível. Oferecer
oportunidades de emprego e de desenvolvimento profissional à todas as pessoas é
mais do que um direito, é um dever.
Portanto, se faz muito necessário
que as empresas incluam este tema em suas pautas, lutando contra o preconceito
e contra o ódio voltado aos LGBTQIAP+. Todos os seres humanos são dignos de
respeito e devem ter os seus direitos assegurados independente da cor, raça,
gênero ou orientação sexual, como consta na Declaração Universal dos Direitos
Humanos (1948).
Porém, o processo de inclusão
pode ser complicado, já que muitos aspectos estão envolvidos neste ato. Então,
como podemos implementar políticas para diminuir a disparidade nas contratações
das pessoas LGBTQIAP+? Antes de avaliarmos esse ponto, devemos ter em mente
como é a situação das pessoas desta comunidade em nosso país. Vejamos abaixo:
Dados estatísticos
Segundo a pesquisa realizada pela
Aliança Nacional LGBTQIAP+ em 2021, o desemprego na comunidade aproxima-se dos
40%, podendo ser de até 70% para as pessoas trans.
Além disso, de acordo com o
estudo realizado pela plataforma #VoteLGBT, durante a pandemia de covid-19,
seis em cada 10 pessoas perderam o emprego ou sofreram alterações na renda.
Devido a isso, a população
LGBTQIAP+ em muitos casos (sendo o grupo das pessoas trans o mais afetado, com
56,82% da comunidade nesta situação), encontra-se em situação de insegurança
alimentar, definido pela Organização das Nações Unidas como "A insegurança
alimentar é um fenômeno que ocorre quando um indivíduo não possui acesso
físico, econômico e social a alimentos de forma a satisfazer as suas
necessidades, conforme a definição da Organização das Nações Unidas para Alimentação
e Agricultura (FAO)" (GUITARRARA, Paloma, 2022).
Para além da questão econômica,
em termos de segurança, o Brasil é o país que possui o maior número de
assassinatos de pessoas LGBTQIAP+ no mundo, segundo o relatório da Associação
Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros e Intersexuais (ILGA).
E ainda de acordo com a
plataforma Trans Murder Monitoring (TMM), o Brasil é o país que mais mata travestis
e mulheres trans em todo o globo. Esse é o grupo mais expressivo dentro da
comunidade LGBTQIAP+, tendo sido contabilizado em 2020, a morte de 161 mulheres
travestis e trans, o que representa 67,9% do total de mortes das pessoas
LGBTQIAP+ assassinadas em 2020 no país.
Como aumentar as contratações de pessoas LGBTQIAP+?
A primeira coisa a se fazer é dar
oportunidades a comunidade LGBTQIAP+ sem deixar que a sexualidade influencie na
contratação, ou seja, o recrutamento deve ser realizado normalmente, focando
nas habilidades e competências do candidato, e não em sua orientação sexual.
Mas é importante ressaltar que a
inclusão e o respeito devem sair do papel, isto é, devem ser praticados dentro
da empresa, desde a contratação de pessoas da comunidade LGBTQIAP+ até a
implementação de políticas antidiscriminatórias.
Outro ponto a se destacar, é que
as empresas podem e devem criar medidas de representatividade voltadas a
comunidade LGBTQIAP+, como:
1 Metas de contratação de pessoas
LGBTQIAP+;
2 Equidade no reconhecimento
pessoal e nas promoções no âmbito do trabalho;
3 Respeito ao nome social, ou
seja, ao nome pelo qual a pessoa se identifica;
4 Criação e desenvolvimento de
uma cultura inclusiva na corporação, na qual colabores e gestores estejam aptos
e capacitados a lidarem com os desafios da promoção da diversidade e da
inclusão;
Além disso, o setor de RH possui um papel crucial na
facilitação do processo de contratação e integração das pessoas LGBTQIAP+ nas
empresas. Medidas como tolerância zero a brincadeiras de mau gosto e
comentários preconceituosos podem ser adotadas para apoiar e proteger a comunidade
LGBTQIAP+.
Combatendo a discriminação no ambiente empresarial
A criação de uma comunicação interna clara e abrangente é um
bom ponto de partida, dessa forma, os colaboradores podem compreender a
mensagem de respeito e equidade na empresa, independente da orientação sexual
dos colaboradores.
Combater a falta de oportunidade e o preconceito enraizado é
uma das chaves para um ambiente de trabalho produtivo, inclusivo e justo. E
para isso várias ferramentas podem ser utilizadas incluindo como a realização
de palestras e dinâmicas que busquem promover a cooperação e o respeito entre
os colaboradores.
A contratação de pessoas LGBTQIAP+ abre um leque de
oportunidades e de novos talentos para a empresa, trazendo diversos benefícios,
inovações e maior competitividade e destaque no mercado de trabalho.
Em qualquer situação ou lugar, é importante sempre lembrarmos que o respeito é fundamental para o bom funcionamento e para o crescimento de uma empresa, e também para a construção de uma sociedade equitativa, pacífica, inclusiva e justa.
Por Maria Santos, Assistente de Marketing Jr.