Agosto dourado e sua importância para as mulheres e bebês
segunda-feira, 15 de agosto de 2022
O mês foi escolhido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) conjuntamente com o UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a infância) em 1992 para lutar pela amamentação até no mínimo os 6 meses de vida do bebê. No Brasil, o mês de agosto também foi escolhido para representar esta causa, sendo conhecido como o "Mês do aleitamento materno".
Além disso, o agosto dourado busca trazer visibilidade para o tema, colocando atenção nos dados sobre o aleitamento materno no Brasil e no mundo.
O que é o Agosto Dourado?
O agosto dourado ou mês dourado, é marcado pela luta ao incentivo e ao direito da mãe de amamentar o seu filho. O termo "dourado" se refere ao "padrão ouro de qualidade" do leite materno, por ser o alimento mais completo e nutritivo para o bebê.
Qual a sua importância?
O leite materno é o alimento mais completo e seguro do mundo para os bebês. Sua composição rica em diversos nutrientes, anticorpos e vitaminas fundamentais para a saúde do bebê e permite que a criança cresça saudável e forte. Este alimento auxilia no desenvolvimento dos sistemas neurológico, imunológico e metabólico, além de salvar a vida de milhares de crianças que possuem menos de seis meses de vida.
Segundo dados da OMS e do Unicef, aproximadamente 6 milhões de vida são salvas todos os anos devido ao aumento da amamentação segura e correta. Entretanto, ainda que os números sejam positivos e estejam crescendo, cabe ressaltar que eles ainda continuam baixíssimos. Somente 39% dos bebês recebem o aleitamento corretamente até os 5 meses de idade.
É fundamental que até os seis meses de idade, a criança receba apenas o leite materno como único e principal alimento, não devendo consumir nenhuma outra fonte de alimentação.
Benefícios do aleitamento para o bebê
O leite materno auxilia no desenvolvimento do bebê por completo, além de fortalecer o vínculo entre mãe e filho. Confira outros benefícios da amamentação na saúde do bebê abaixo:
- Fortalecimento do sistema imunológico;
- Protege o coração do bebê;
- Previne e protege contra a obesidade infantil e contra os riscos de desenvolvimento de hipertensão, infecções, alergias e diabetes;
- Previne a anemia e a desnutrição;
- Diminui o risco de desenvolvimento de déficit de atenção;
Benefícios do aleitamento para a mãe
Diversos benefícios são oferecidos também à mãe durante o processo de amamentação. Entre os principais benefícios podemos citar:
- O aleitamento materno estimula o retorno do útero ao tamanho normal, diminuindo o risco de cânceres de mama, endométrio e ovário e do sangramento pós-parto;
- Protege contra a osteoporose e doenças cardiovasculares;
- Ajuda na aceleração da perda de peso, diminuindo os riscos de obesidade.
Agosto dourado no Brasil
O agosto dourado foi adotado no Brasil em 2017, instituído pela Lei nº 13.435/2017, que determina que, durante o mês de agosto ocorrerão diversos projetos e ações voltados ao incentivo do aleitamento materno, a sua conscientização e a diversos outros pontos relacionados a temática da amamentação.
No Brasil, o Ministério da Saúde em parceria com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) possuem esse tema oficialmente implantado em suas agendas, promovendo diversas campanhas em prol da luta pelo direito à amamentação e a sua conscientização.
Direitos da mulher durante a amamentação
A consolidação das Leis do Trabalho (CLT) assegurou através da alteração do artigo pela Lei nº 13.509, de 22 de novembro de 2017, o direito ao intervalo para as mães amamentarem os seus filhos, conforme abaixo:
"Para amamentar seu filho, inclusive se advindo de adoção, até que este complete 6 (seis) meses de idade, a mulher terá direito, durante a jornada de trabalho, a 2 (dois) descansos especiais de meia hora cada um".
Sendo assim, a lei diz que a empregada possui direito a dois descansos de 30 minutos para que o bebê seja amamentado corretamente até os 6 meses de vida. Esse direito estabelecido por lei, independe de comprovação de necessidade de amamentação da criança. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) também defende o direito de todas as mães de amamentarem os seus filhos, assim como o direito de todas as crianças de serem amamentadas com leite materno.
A CLT também estabeleceu que toda empresa com mais de 30 mulheres colaboradoras acima de 16 anos de idade deve possuir uma estrutura apropriada para que as mulheres possam amamentar os seus filhos com segurança e dignidade.
É importante que não se confunda o período de repouso e o período de amamentação, que são duas coisas completamente diferentes. O período de amamentação deve ser acordado entre a colaboradora e o gestor.
Ademais, a lei n° 13.872/2019 estabeleceu que durante a realização de concursos públicos, as mães possuem o direito de amamentar os seus filhos.
Campanhas e conscientização nas empresas
Apesar do apoio nacional e internacional e da luta de diversas organizações pelo direito e pela continuação da amamentação, muitas mães sentem-se com medo ou ameaçadas por estarem amamentando e correrem o risco de serem demitidas após o fim da licença-maternidade. Isso leva ao desmame precoce, que pode causar inúmeros danos a mãe e ao bebê.
Nesse contexto, o RH das empresas possui papel central na conscientização e na estimulação da amamentação até no mínimo os seis meses de vida. Pois, muitas organizações, infelizmente, ainda não reconhecem esse direito e o veem como desnecessário.
Diversas ações podem ser implementadas para que os colaboradores estejam cientes do agosto dourado, entre elas:
- Promover seminários, palestras e eventos sobre a temática;
- Explicar e estimular os colaboradores a conhecer quais os direitos das mães que tiveram bebês que nasceram antes do tempo, através da Lei do Prematuro que é amparada pela Portaria Conjunta nº28/2021 do INSS;
- Estimular a doação de leite materno, pois muitas mães carecem de sua produção e dependem da doação para amamentar os seus filhos.
Por isso, possuir uma política mais humana e acolhedora faz total diferença para as mães e para os bebês. Construir um ambiente de trabalho harmonioso e pautado nos direitos das mães, estimula a amamentação saudável e continuada.
Por Maria Santos, Assistente de Marketing JR.